Será realmente que meus dias eram belos?
Ou sou eu quem recorda com tão fulminante vontade deles terem sido assim?
Acostumei-me a empilhar e acariciar cada uma de minhas lembranças.
Tocar dia após dia, uma por uma, encaixar perto do peito as dores dos dias esquecidos e que só eu ainda alimento, apenas eu no fim e só.
Só, ainda aquilo, que fica entre os restos e as migalhas estendida no chão da cozinha, olhando pro teto e vendo que as cores do sol mudam as sombras dos objetos.
Deve de ser isso, se continuar parada irei notar a mesma diferença das coisas que se foram conforme a luz que bate sobre elas.
As pessoas também, essas por sua vez, posso ver cada marca em suas faces, mas quem me dera poder espalmar a minha mão nelas pra tentar as fazer voltarem ao que eram antes.
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